O que é uma empresa humanizada afinal?

10.09.2020 | Institucional

O que é uma empresa humanizada afinal?

Entender sobre o modelo humanizado de negócios permite que a empresa aja com mais consciência e impacto no mercado, alinhando estratégia às necessidades reais de seus clientes.

 

Quando se fala em humano o que lhe vem à mente?

Talvez virtudes como filantropia, gentileza ou a nossa capacidade de dar nomes aos sentimentos e experiências mais íntimos. Mas e quanto ao trabalho remunerado, negociações e o empreendedorismo? Até hoje o consenso é de haver uma separação entre o que é do campo íntimo e emocional (humano), e o campo do trabalho.

Isso é efeito da filosofia capitalista focada na maximização de lucros, que tem como pai o economista Milton Friedman. Porém, se você se permitir olhar ao redor verá os efeitos corrosivos dela em toda a sociedade – desde as relações íntimas, passando pelas relações no trabalho, até a relação com o meio-ambiente.

Há pelo menos vinte anos se diz da necessidade de humanizar empresas e a forma de trabalhar. Uma busca superficial na internet lhe trará conteúdos sobre como humanizar seu local de trabalho a partir de gestos de cordialidade com colegas e clientes, políticas de inclusão, ecológicas ou pet friendly.

Mas será que isso define uma empresa como humanizada? Neste artigo você vai aprender de verdade sobre este assunto.

 

Antes, entenda o seguinte…

A cada época, a humanidade é caracterizada por um conjunto de atitudes em comum que dizem respeito à visão de mundo e perspectiva de vida. É o chamado zeitgeist, espírito da época1. Saber sobre isso ajuda a entender que tipo de necessidades tem movido as pessoas.

A internet e as revoluções tecnológicas mudaram o capitalismo em todos os campos. As formas de trabalhar e de consumir são outras. As pessoas têm olhado menos para “coisas” e mais para experiências.

O fácil acesso à informação tem empoderado muitas pessoas devido ao conhecimento que adquirem. Com isso, elas têm valorizado cada vez mais suas necessidades, trabalhando e comprando com base em seus princípios e objetivos de vida. Daí falar-se tanto em propósito. Em última análise, tudo tornou-se pessoal. Este é o nosso zeitgeist.

E o que isso significa para empresas e empresários?

 

Uma verdadeira mudança de paradigmas

Ninguém está isolado desse tipo de influência. Seja cliente, seja funcionário ou empresário. E por conta disso, cada vez mais empresários atentos têm colocado essa necessidade de conexão e significado da nossa época no centro de seus negócios, provocando uma verdadeira transformação humanística. Como assim?

No capitalismo clássico, a obtenção de lucros e resultados acontece às custas da diminuição ou perda de algum recurso por parte de outros. Esse modelo não só aumenta a desigualdade como torna as relações superficiais e o próprio desempenho no trabalho, conforme o sociólogo Richard Sennett em seu livro A corrosão do caráter: consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo (Record).

Em uma empresa humanizada, as políticas e processos são feitos considerando os impactos das decisões em todos os que dela fazem parte: funcionários, clientes, parceiros, acionistas e a sociedade. Ela é guiada pelo mesmo princípio de orientação para stakeholders do capitalismo consciente.

 

Reconhecendo uma empresa humanizada

Então eis que humanizar não é ser cordial, pet friendly ou ecologicamente sustentável. A gestão humanizada envolve criar valor emocional, intelectual, espiritual, cultural, social e ecológico além do econômico para os stakeholders.

Por conta disso, trata-se de uma empresa que se torna amada por alinhar o interesse de todos em sua estratégia de negócio e trabalho.

É um desafio de várias camadas, com certeza. Afinal passamos séculos seguindo a premissa de que o lucro de uns é sinônimo de perda para outros.

Na obra Empresas Humanizadas – Pessoas, Propósito e Performance” (Alta Books), livro referência no assunto, os autores trazem os 04 pilares de toda empresa que adota uma gestão consciente e emocionalmente inteligente a ponto de ser tida como humanizada. Veja abaixo:

Propósito maior

Isso significa se envolver e relacionar com seus stakeholders a fim de sanar suas necessidades. Deste modo, a lucratividade torna-se uma consequência de uma postura mais ativa, consciente e afetuosa. Os funcionários encontram satisfação em fazer parte, os clientes se conectam aos valores corporativos pela sua honestidade e, num ciclo, a empresa torna-se um agente de transformação social.

Orientação para stakeholders

A afetividade de uma empresa com seus stakeholders é o grande diferencial competitivo. Toda ação estratégica leva em consideração o quanto a organização é efeito da interdependência de todos eles – funcionários, clientes, comunidade, meio-ambiente e acionistas. Essa característica diz respeito a um pilar do capitalismo consciente cuja premissa é a relação “ganha-ganha”.

Liderança consciente

Líderes conscientes significam pessoas atentas ao zeitgeist, ou seja, à realidade social e os efeitos delas sobre as pessoas ao seu redor. Esse tipo de líder atua de forma a promover a integridade de seus liderados diante das demandas sociais, oferecendo um espaço de segurança psicológica e apoio para se alcançar os resultados esperados. Por sua vez, isso reverbera em toda a cadeira de stakeholders, fortalece a cultura e o propósito da empresa.

Cultura consciente

A cultura corporativa é o maior patrimônio de uma empresa. Uma cultura consciente concilia eficácia operacional com conexão emocional. É alvo de constante melhorias e aperfeiçoamento, no qual todos os funcionários – líderes e liderados – passam por capacitação e desenvolvimento constante. Maior o nível de consciência, pessoa mais inteligentes, maduras e autogerenciáveis.

 

Em resumo

Na época em que vivemos o ser humano tem buscado por experiências significativas e um senso de realização profundo. Ao se considerar esse fator humano dentro do ambiente corporativo, os negócios passam por uma remodelagem de 360° e se humanizam. É a chamada gestão humanizada.

As políticas empresariais passam a considerar o ambiente externo a ela e os impactos de suas decisões. Este modelo de negócios é pautado não na gentileza, mas na consciência dos efeitos das decisões. Isso traz à tona um propósito maior do que a obtenção máxima de lucros, gerando maior engajamento, lucratividade e resultados.

 

1 Zeitgeist: termo alemão cuja tradução significa espírito da época, espírito do tempo ou sinal dos tempos. Significa, em suma, o conjunto do clima intelectual e cultural do mundo, numa certa época, ou as características genéricas de um determinado período de tempo. (Wikipedia)

 

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